Perfil intelectual dos autores de livros didáticos paulistas na Primeira República

Autores

  • Samara Elisana Nicareta Autor
  • Valter Andre Jonathan Osvaldo Abbeg USC-Paraguai Autor

Palavras-chave:

Livro didático, Intelectuais da educação, História da Educação

Resumo

O artigo analisa o perfil intelectual e profissional dos autores de livros didáticos aprovados em São Paulo durante a Primeira República (1911-1937). A pesquisa, de natureza qualitativa e baseada na prosopografia, investiga como as trajetórias biográficas desses agentes influenciaram a produção e a legitimação de suas obras. A fundamentação teórica utiliza conceitos de Pierre Bourdieu, como "campo" e "capital simbólico", para demonstrar que a autoria didática não era uma atividade isolada, mas um mecanismo de prestígio e poder. O estudo revela uma "endogenia" no sistema educacional: os autores eram, majoritariamente, altos funcionários da burocracia estatal, como inspetores, diretores e professores da Escola Normal da Praça. Essa inserção institucional garantia vantagem competitiva na aprovação e circulação das obras, funcionando como uma extensão da função pública. Os resultados apontam para a predominância de um discurso conservador, pautado pelo nacionalismo ufanista, higienismo e pela exaltação da "paulistanidade". Conclui-se que o "autor-padrão" era um intelectual orgânico do regime, responsável por traduzir diretrizes políticas em conteúdos pedagógicos que visavam a conformação de um cidadão ordeiro. O livro didático emerge, portanto, como um instrumento político de manutenção da hegemonia das elites dirigentes paulistas sobre o imaginário escolar.

 

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Publicado

2026-03-20

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Perfil intelectual dos autores de livros didáticos paulistas na Primeira República. (2026). Cadernos De InterCulturas, 1(1), 1-14. https://ecadernos.com/index.php/cicul/article/view/1