Multiculturalidade e Interculturalidade no Campo Educacional Brasileiro e Português
Palavras-chave:
Multiculturalidade, Interculturalidade, EducaçãoResumo
O presente estudo tem por objetivo analisar, de forma crítica e comparativa, as distinções conceituais e operacionais entre multiculturalidade e interculturalidade no campo educacional, tomando como base produções acadêmicas relevantes no Brasil e em Portugal. A partir de uma revisão de literatura de caráter qualitativo e interpretativo, fundamentada em artigos científicos, ensaios teóricos e teses acadêmicas, buscou-se compreender as condições históricas, políticas e epistemológicas que sustentam a emergência e a circulação desses conceitos. Os resultados indicam que a multiculturalidade tem sido predominantemente mobilizada como categoria descritiva, associada à constatação da pluralidade cultural nas sociedades contemporâneas, enquanto a interculturalidade se configura como projeto normativo e pedagógico orientado à mediação das diferenças, ao reconhecimento mútuo e à problematização das desigualdades. Contudo, a análise evidencia que essa distinção não é estática nem universal, sendo atravessada por disputas teóricas e usos institucionais distintos em cada contexto. No Brasil, a interculturalidade assume maior densidade crítica ao articular-se com debates sobre relações étnico-raciais, educação indígena e justiça social. Em Portugal, por sua vez, observa-se sua incorporação em políticas públicas, frequentemente tensionada por críticas que apontam para sua possível instrumentalização como discurso de gestão da diversidade. Conclui-se que a diferenciação entre multiculturalidade e interculturalidade ultrapassa o plano terminológico, constituindo-se como chave analítica para compreender as relações entre cultura, poder e educação, bem como os desafios contemporâneos na construção de práticas pedagógicas mais equitativas e inclusivas.
Referências
ARAUJO, Viviane Patricia Colloca. A multiculturalidade nas políticas educacionais e a formação de professores: Brasil e Portugal. 2009. 429 f. Tese (Doutorado em Ciências Humanas) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2009.
ARAÚJO, Marta. As narrativas da indústria da interculturalidade (1991-2016): desafios para a educação e as lutas anti-racistas. Investigar em Educação, II série, n. 7, p. 9-35, 2018.
CANDAU, Vera Maria. Direitos humanos, educação e interculturalidade. Revista Brasileira de Educação, v. 13, n. 37, 2008.
CANDAU, Vera Maria Ferrão. Diferenças culturais, interculturalidade e educação em direitos humanos. Educação & Sociedade, v. 33, n. 118, p. 235-250, 2012.
CANDAU, Vera Maria Ferrão. A pesquisa multi/intercultural na educação: possibilidades, desafios e reinvenções. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, 2024.
CORTESÃO, Luíza; PACHECO, José Augusto. O conceito de educação intercultural. 2008.
DALPIAZ, Priscila. Tendências da interculturalidade: contribuições para formação de professores. Educação, Sociedade & Culturas, 2022.
FAUSTINO, Rosângela Célia. Política educacional nos anos de 1990: o multiculturalismo e a interculturalidade na educação escolar indígena. 2006. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.
FLEURI, Reinaldo Matias. Intercultura e educação. Revista Brasileira de Educação, n. 23, 2003.
MEDEIROS, Nuno; DENIS, Teresa. Multiculturalidade, interculturalidade, direitos humanos e violência de género: breves notas para pensar o caso da mutilação genital feminina em Portugal e a sua abordagem. Cadernos Pagu, n. 55, 2019.
PIMENTEL, Inês Patrícia. Educação intercultural em Portugal: entre as normativas e as traduções. Revista Portuguesa de Investigação Educacional, 2024.
ROCHA, Cristina Eugénia Ferreira. A escola e a diversidade étnica e cultural. 2006. Dissertação (Mestrado) – Universidade Aberta, Portugal, 2006.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Ana Cecília Nicareta Santos Zattar (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores(as) preservam os direitos autorais e cedem a revista o direito de publicação primária, em formato digital (online) e impresso, sendo permitido aos autores a posterior publicação do material em outros formatos, a partir da adoção de uma conduta moral condizente as boas práticas do meio científico e assumindo a inteira e exclusiva responsabilidade por tais publicações. A publicação é de acesso aberto, não há barreiras financeiras, legais ou técnicas para acessá-la. (Ver em: https://www.openaccess.nl/en/what-is-open-access) Usamos a licença Creative Commons CC BY-NC-ND 4.0. Informações sobre esta licença podem ser encontradas em: https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR
