Etnomatemática e interculturalidade: saberes situados, crítica epistemológica e reinvenção da educação matemática
Palavras-chave:
Etnomatemática, Interculturalidade, Educação matemáticaResumo
O presente artigo analisa, em perspectiva teórico-argumentativa, as possíveis relações entre etnomatemática e interculturalidade, partindo da compreensão de que ambas se constituem como campos críticos de problematização dos processos de produção, legitimação e escolarização do conhecimento. A discussão fundamenta-se em autores de referência no campo da educação matemática e da educação intercultural, com destaque para Ubiratan D’Ambrosio, Gelsa Knijnik, Zélia Madruga, Bicho, Guedes e Castro, entre outros, buscando evidenciar que a matemática escolar, historicamente apresentada como linguagem universal, neutra e abstrata, é atravessada por disputas epistemológicas, culturais e políticas. Argumenta-se que a etnomatemática, ao reconhecer diferentes formas de matematizar o mundo produzidas em contextos culturais específicos, contribui para desestabilizar a hegemonia de uma única racionalidade matemática, ao passo que a interculturalidade, entendida como mediação crítica entre saberes, sujeitos e práticas, amplia essa problematização ao insistir na necessidade de enfrentar assimetrias, desigualdades e processos de subalternização. O artigo também destaca que a articulação entre etnomatemática e interculturalidade se mostra particularmente fecunda no campo da educação escolar indígena, da formação docente e das abordagens decoloniais do currículo, embora não esteja isenta de tensões e limites. Conclui-se que a aproximação entre esses dois referenciais não deve ser compreendida como mera soma conceitual, mas como possibilidade de reinvenção da educação matemática, orientada por justiça cognitiva, reconhecimento da pluralidade epistemológica e reconfiguração crítica das práticas escolares.
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